*Edcarlinha-Ap, a jornalista*

olá pessoal, este é o meu 1º blog oficial, outros apenas na brincadeira , mas esse é coisa séria, fiz, com a ajuda do meu professor Guaracy Carlos, da disciplina de Jornalismo e Novas Tecnologias. Espero que vocês aprovem o tema do blog é um pouco esquecido entre nós os jornalista que é a Literatura Amapaense, um tema de grande importância. Contará não só a vida dos escritores conhecidos em Macapá mas também daqueles que até então permaneciam no anonimato...

Friday, October 20, 2006

A expofeira do Amapá

Vocês já foram atualmente na 43ª
expofeira?
Pois é , é tanta coisa esse ano ... Há a presença vibrante do
SEBRAE ,onde investiu na cultura num momento propício atravé de um evento
marcante para nós amapaenses que é o equinócio.Isso e muito mais você pode
encontrar como um parque inteiro para toda uma criançada como brinquedotecas
onde se pensa também na criança e pode-se ter total confiabilidade dentro desse
local onde são inteiramente para as crianças , um espaço privilegiado a todos que têm medo de levar seu filho. Outra curiosidade da feira é a como a arena está este ano , pode-se observar que os organizadores colocaram as pessoas bem mais perto das animações do rodeio, para sentirem de perto essa emoção. Outra grande investida foi em shows, muita gente compareceu a eles pois exibia-se muita tranquilidade e sem violência no qual eram rapidamente combatida.Mas o que ainda falta é um espaço para os nossos artistas , não falo somente de músicas onde nesse caso houve vários palcos para mostrar que em Macapá há muita gente que tem o dom e sabe realmente cantar.Mas falta ainda um local para os artistas pintores, andando pela expofeira você se deparava com um artista pintando no chão muitos quadros belíssimos, muita gente que por ´lí passavam acharam uma falta de valorização de nossa cultura, falta um investimento a esses artistas natos. Enquanto que obras de pintores famosos ram expostos, esse garoto lutava por uma migalha , ou seja míseras gorjetas....

Tuesday, September 26, 2006


UM dos mais belos textos de Hélio Penafort, retirado do site http://escritoresap.blogspot.com/2006_05_01_escritoresap_archive.html
O MERUOCA DO AMAPÁ
bate-papo começou logo após o destrinchamento do aticó, tarefa realizada com a ajuda de duas garrafas de vinho tinto, ao natural. A noite estava morna com uns fiapos de nuvens sendo empurradas pelo cla­rão prateado da Lua (parece coisa de seresteiro). Ah, ia esquecendo de avisar aos desavisados: aticó é a parte mais nobre da nobilíssima gurijuba. Quando cortado por experientes pescadores, fica tão fino que chega à trans­parência. Pode ser assado pelo sol no toldo da canoa. E se come assim mesmo. Cozinhar um aticó, por exemplo, é sesquipedal ignorância culiná­ria. Mancada imperdoável. Seria a mesma coisa que você botar o filé para cozinhar com o feijão. Fica sem graça. Mas como ia dizendo, o bate-papo naquela noite morna começou após o rango. Onde estávamos? Num simpá­tico botequim, nos arredores da cidade do Amapá, para onde tínhamos ido, a fim de colher uma matéria sobre um pouco da vida do Meruoca, que vo­cês verão daqui a pouco. Naquele momento, o nosso grupo era uma suruba interiorana. Estavam ali aporemense, sucurijuense, juncalense, amaparino e oiapoquense.Começou-se enaltecendo os chamados atributos físicos das ga­rotas do Amapá. Por sinal, duas delas participavam da roda em torno da mesa e ficaram, malaguetamente, ruborizadas quando Francisco (o do Aporema) disse que lá para as suas bandas as mulheres - criadas com leite de búfala - cresciam generosas nas protuberâncias e alegres no espírito. Isso, garantiu, sem falar no caquiado que magistralmente sabem executar.Terminada a galhofada após outras minuciosas descrições (e indiscrições) do Francisco, alguém lembrou um episódio ocorrido, há tem­pos, envolvendo duas figuras bastante conhecidas na cidade. Ary Vieira trabalhava como radiotelegrafista, possuía uma bicicleta motorizada e al­gumas tarefas de roça. Devido às suas características - baixo, gordinho, ativo, sério - deram-lhe o apelido de Barão das Sete Mangueiras. Ricarte Maia, funcionário público, trabalhava nesse tempo no setor de obras da prefeitura. Tipo gozador, costumava percorrer a cidade montado no Pitéu, cavalo obediente que sabia de cor o rumo de todos os bares e não se abor­recia em esperar o dono tomar as suas talagadas cavalares. Pois bem, esses dois protagonizaram um acidente de trânsito nunca dantes acontecido na cidade e, por isso, bastante comentado. Testemunha ocular me disse que o negócio foi mais ou menos assim:Quando o bairro das Sete Mangueiras - onde fica o campo de futebol - recebia os primeiros torcedores para uma partida entre Vera Cruz e Fronteira, numa tarde calorenta de domingo, Ary Vieira regressava, tran­qüilamente, da sua roça, trazendo dois sacos de farinha amarrados com ci­pó titica na garupa da bicimoto. Quase ao mesmo tempo, num bar não muito distante, Ricarte tomava a saideira e montava no Pitéu, para também ir ver o jogo no Sete Mangueiras. E bastou uma chicotada para que o fogo­so cavalo pegasse corda e saísse à toda, levando o irrequieto Roy Rogers do Araparizal, que acenava com um chapéu de couro para os admiradores de suas proezas eqüestres. Aproximando-se do campo, avistou o Barão que vinha em sentido contrário e quis tirar um “fino”. Nunca esperava, entre­tanto, que o Pitéu fosse desobedecê-lo na hora H. Resultado: o cavalo se chocou com a bicimoto, deu duas espetaculares cambalhotas, machucou a perna do “nobre”, levantou de novo, apanhou o ariado cavaleiro e relin­chou. Ofendido em seus domínios por um plebeu qualquer, o Barão das Sete Mangueiras,, após quase sair para a porrada com o Ricarte, procurou o delegado de polícia e registrou a queixa, exigindo reparos aos danos cau­sados pelo Pitéu. O delegado, por sua vez, disse que a única dificuldade seria a de proceder ao necessário laudo pericial, “pois é a primeira vez que em minha delegacia se registra uma colisão eqüino-motora”.DE BUBUIAOutro lance que animou a conversa foi contado pelo represen­tante do Sucuriju naquele grupo etílico-gozador. E o Orivaldo - parece esse o nome do cara - à medida que narrava o episódio, empostava a voz e enfrescalhava os gestos de modo a ironizar a turma do Amapá, que o ou­via atentamente.Contou que, anos atrás, durante uma festa de arraial da santa padroeira da sua vila, chegou uma canoa cheia de gente do Amapá. Foram recebidos com a hospitalidade própria dos sucurijuenses e começaram a circular pelas passarelas - Sucuriju é igual Afuá, as ruas são de tábuas -, provando um caranguejo ali, um pirarucu acolá, entremeados, logicamente, com doses de vaqueiro da boa cachaça do Igarapé-Mirim.Quando a noite chegou, na hora da novena, uns quinze deles já estavam mais para lá do que pra cá. Dois já haviam caído da ponte e suja­do a roupa da missa. Mesmo assim, foram para a capela e ainda ajudaram nos cânticos, incomodando os verdadeiros fiéis, que tiveram de suportar destoantes vozes pastosas e um enorme fedor de cachaça.Terminada a reza, chegou a hora das brincadeiras do arraial. O leiloeiro começou a apregoar o produto arrecadado pela igreja, a aparelha­gem de som aumentou o volume e teve início aquele vaivém de gente pela estreita área das barraquinhas.A certa altura, a turma do Amapá, que só andava em grupo, começou a dar em cima das garotas do Sucuriju, na expectativa de uma conquista fácil que tornasse a noite mais agradável e ... quem sabe? Acontece que a maneira de paquerar dos amaparinos era demais ostensiva para os brios sucurijuenses. Em vez de uma abordagem discreta, um bor­dejo de conversa, um olhar convidativo, o que fizeram foi logo passar o braço por cima do ombro, abraçar na marra e houve até beliscões na bun­da. Aí não deu outra. A turma do Sucuriju reagiu e reagiu para valer. Fize­ram um círculo em torno dos amaparinos e foram empurrando para a beira do rio aos gritos de “voltem para a canoa!”, “vão embora daqui!”. O dia­bo é que a maré estava seca e a canoa não podia sair. E, ainda por cima, estava fundeada bem longe e não havia nenhuma ubá por perto. “Não seja por isso” - comandou o líder dos sucurijuenses - “podem cair n’água e fi­quem de molho até a hora da maré. E ai daquele que se meter a besta e querer voltar pra terra. Vai levar muita porrada!”Orivaldo garante que o quadro foi engraçado. Por quase duas horas ficaram de bubuia e, quando a maré chegou trazendo a canoa para perto, quatro deles estavam tão encriquilhados que quase nem podiam esticar a perna. Foi preciso o calor do fogareiro de bordo. E, no arraial, a festa continuava cada vez mais animada.AS CANOAS DO MERUOCAO primeiro a enaltecer a figura do Meruoca é o Jocelyn Collares, ex-prefeito do município. “Cansei de andar nas canoas do Meruoca quando era menino. Era como a gente chegava aqui na cidade, vindo da Ba­se. E afirmo a você que Meruoca foi uma das figuras mais populares, tra­balhadoras e estimadas que já passaram aqui pelo Amapá.”Jocelyn tem razão. Todo mundo em Amapá, de meia idade para cima, lembra-se do Meruoca, principalmente das suas tiradas folclóricas. Ele escrevia palavrão na falca das suas canoas e quando alguém chegava no porto pedindo para ir à cidade, virava a cabeça como que apontando pa­ra o igarapé e avisava: “A única que tenho agora é a Penteiúda, pega ela”.Meruoca chegou ao Amapá em 1915, tangido do Ceará por pe­quenas desavenças. Lá, armou uma casa na beira do igarapé que hoje leva o seu nome e começou a plantar e a criar. Siáudio Assunção Lemos convi­veu com ele: “Conheci o Meruoca rapando osso no Ceará. Era um homem extraordinário. Trabalhador como ele só. Chegou aqui e se deu bem, como, aliás, se deram todos os nordestinos, porque esta terra é acolhedora”. Siáudio fala que Meruoca quebrou uma espécie de tabu que existia no Amapá. “Ele desenvolveu muito a agricultura e incentivou o caboclo a plantar. Aqui existia uma superstição que dizia que quem plantava coco não comia coco, quem plantava manga não comia manga. Mas ele veio de uma terra como o Ceará, onde quem não trabalha morre de fome, e chegou aqui entusiasma­do. Aí o pessoal foi vendo o Meruoca plantar o cajueiro, a mangueira e começou a plantar também”.“Eu sou da Serra do Meruoca, sou homem que não monta em cavalo alazão do pé direito branco e nem dobro a esquina quando vejo o inimigo” - costumava dizer esse nordestino sempre lembrado como o tipo do cara boa praça. “A gente chegava na casa do Meruoca e não tinha mais vontade de sair. Além do dedo de prosa, ele tinha sempre um peixinho assado na brasa, uma farinhad’água bem torradinha, uma paçoca de castanha de caju” – garante Siáudio, que cansou de passar por lá.Hoje o porto do Meruoca é atravessado por uma ponte da i irada Amapá/Base Aérea. Os serviços que prestou aos antigos moradores da então vila do Espírito Santo, porém, não foram e acredito que iam, serão esquecidos. É uma pena que ninguém teve a idéia de guardar as canoinhas que transportavam a turma para a cidade. Com palavrão e tudo.....................
O MERUOCA DO AMAPÁO bate-papo começou logo após o destrinchamento do aticó, tarefa realizada com a ajuda de duas garrafas de vinho tinto, ao natural. A noite estava morna com uns fiapos de nuvens sendo empurradas pelo cla­rão prateado da Lua (parece coisa de seresteiro). Ah, ia esquecendo de avisar aos desavisados: aticó é a parte mais nobre da nobilíssima gurijuba. Quando cortado por experientes pescadores, fica tão fino que chega à trans­parência. Pode ser assado pelo sol no toldo da canoa. E se come assim mesmo. Cozinhar um aticó, por exemplo, é sesquipedal ignorância culiná­ria. Mancada imperdoável. Seria a mesma coisa que você botar o filé para cozinhar com o feijão. Fica sem graça. Mas como ia dizendo, o bate-papo naquela noite morna começou após o rango. Onde estávamos? Num simpá­tico botequim, nos arredores da cidade do Amapá, para onde tínhamos ido, a fim de colher uma matéria sobre um pouco da vida do Meruoca, que vo­cês verão daqui a pouco. Naquele momento, o nosso grupo era uma suruba interiorana. Estavam ali aporemense, sucurijuense, juncalense, amaparino e oiapoquense.Começou-se enaltecendo os chamados atributos físicos das ga­rotas do Amapá. Por sinal, duas delas participavam da roda em torno da mesa e ficaram, malaguetamente, ruborizadas quando Francisco (o do Aporema) disse que lá para as suas bandas as mulheres - criadas com leite de búfala - cresciam generosas nas protuberâncias e alegres no espírito. Isso, garantiu, sem falar no caquiado que magistralmente sabem executar.Terminada a galhofada após outras minuciosas descrições (e indiscrições) do Francisco, alguém lembrou um episódio ocorrido, há tem­pos, envolvendo duas figuras bastante conhecidas na cidade. Ary Vieira trabalhava como radiotelegrafista, possuía uma bicicleta motorizada e al­gumas tarefas de roça. Devido às suas características - baixo, gordinho, ativo, sério - deram-lhe o apelido de Barão das Sete Mangueiras. Ricarte Maia, funcionário público, trabalhava nesse tempo no setor de obras da prefeitura. Tipo gozador, costumava percorrer a cidade montado no Pitéu, cavalo obediente que sabia de cor o rumo de todos os bares e não se abor­recia em esperar o dono tomar as suas talagadas cavalares. Pois bem, esses dois protagonizaram um acidente de trânsito nunca dantes acontecido na cidade e, por isso, bastante comentado. Testemunha ocular me disse que o negócio foi mais ou menos assim:Quando o bairro das Sete Mangueiras - onde fica o campo de futebol - recebia os primeiros torcedores para uma partida entre Vera Cruz e Fronteira, numa tarde calorenta de domingo, Ary Vieira regressava, tran­qüilamente, da sua roça, trazendo dois sacos de farinha amarrados com ci­pó titica na garupa da bicimoto. Quase ao mesmo tempo, num bar não muito distante, Ricarte tomava a saideira e montava no Pitéu, para também ir ver o jogo no Sete Mangueiras. E bastou uma chicotada para que o fogo­so cavalo pegasse corda e saísse à toda, levando o irrequieto Roy Rogers do Araparizal, que acenava com um chapéu de couro para os admiradores de suas proezas eqüestres. Aproximando-se do campo, avistou o Barão que vinha em sentido contrário e quis tirar um “fino”. Nunca esperava, entre­tanto, que o Pitéu fosse desobedecê-lo na hora H. Resultado: o cavalo se chocou com a bicimoto, deu duas espetaculares cambalhotas, machucou a perna do “nobre”, levantou de novo, apanhou o ariado cavaleiro e relin­chou. Ofendido em seus domínios por um plebeu qualquer, o Barão das Sete Mangueiras,, após quase sair para a porrada com o Ricarte, procurou o delegado de polícia e registrou a queixa, exigindo reparos aos danos cau­sados pelo Pitéu. O delegado, por sua vez, disse que a única dificuldade seria a de proceder ao necessário laudo pericial, “pois é a primeira vez que em minha delegacia se registra uma colisão eqüino-motora”.DE BUBUIAOutro lance que animou a conversa foi contado pelo represen­tante do Sucuriju naquele grupo etílico-gozador. E o Orivaldo - parece esse o nome do cara - à medida que narrava o episódio, empostava a voz e enfrescalhava os gestos de modo a ironizar a turma do Amapá, que o ou­via atentamente.Contou que, anos atrás, durante uma festa de arraial da santa padroeira da sua vila, chegou uma canoa cheia de gente do Amapá. Foram recebidos com a hospitalidade própria dos sucurijuenses e começaram a circular pelas passarelas - Sucuriju é igual Afuá, as ruas são de tábuas -, provando um caranguejo ali, um pirarucu acolá, entremeados, logicamente, com doses de vaqueiro da boa cachaça do Igarapé-Mirim.Quando a noite chegou, na hora da novena, uns quinze deles já estavam mais para lá do que pra cá. Dois já haviam caído da ponte e suja­do a roupa da missa. Mesmo assim, foram para a capela e ainda ajudaram nos cânticos, incomodando os verdadeiros fiéis, que tiveram de suportar destoantes vozes pastosas e um enorme fedor de cachaça.Terminada a reza, chegou a hora das brincadeiras do arraial. O leiloeiro começou a apregoar o produto arrecadado pela igreja, a aparelha­gem de som aumentou o volume e teve início aquele vaivém de gente pela estreita área das barraquinhas.A certa altura, a turma do Amapá, que só andava em grupo, começou a dar em cima das garotas do Sucuriju, na expectativa de uma conquista fácil que tornasse a noite mais agradável e ... quem sabe? Acontece que a maneira de paquerar dos amaparinos era demais ostensiva para os brios sucurijuenses. Em vez de uma abordagem discreta, um bor­dejo de conversa, um olhar convidativo, o que fizeram foi logo passar o braço por cima do ombro, abraçar na marra e houve até beliscões na bun­da. Aí não deu outra. A turma do Sucuriju reagiu e reagiu para valer. Fize­ram um círculo em torno dos amaparinos e foram empurrando para a beira do rio aos gritos de “voltem para a canoa!”, “vão embora daqui!”. O dia­bo é que a maré estava seca e a canoa não podia sair. E, ainda por cima, estava fundeada bem longe e não havia nenhuma ubá por perto. “Não seja por isso” - comandou o líder dos sucurijuenses - “podem cair n’água e fi­quem de molho até a hora da maré. E ai daquele que se meter a besta e querer voltar pra terra. Vai levar muita porrada!”Orivaldo garante que o quadro foi engraçado. Por quase duas horas ficaram de bubuia e, quando a maré chegou trazendo a canoa para perto, quatro deles estavam tão encriquilhados que quase nem podiam esticar a perna. Foi preciso o calor do fogareiro de bordo. E, no arraial, a festa continuava cada vez mais animada.AS CANOAS DO MERUOCAO primeiro a enaltecer a figura do Meruoca é o Jocelyn Collares, ex-prefeito do município. “Cansei de andar nas canoas do Meruoca quando era menino. Era como a gente chegava aqui na cidade, vindo da Ba­se. E afirmo a você que Meruoca foi uma das figuras mais populares, tra­balhadoras e estimadas que já passaram aqui pelo Amapá.”Jocelyn tem razão. Todo mundo em Amapá, de meia idade para cima, lembra-se do Meruoca, principalmente das suas tiradas folclóricas. Ele escrevia palavrão na falca das suas canoas e quando alguém chegava no porto pedindo para ir à cidade, virava a cabeça como que apontando pa­ra o igarapé e avisava: “A única que tenho agora é a Penteiúda, pega ela”.Meruoca chegou ao Amapá em 1915, tangido do Ceará por pe­quenas desavenças. Lá, armou uma casa na beira do igarapé que hoje leva o seu nome e começou a plantar e a criar. Siáudio Assunção Lemos convi­veu com ele: “Conheci o Meruoca rapando osso no Ceará. Era um homem extraordinário. Trabalhador como ele só. Chegou aqui e se deu bem, como, aliás, se deram todos os nordestinos, porque esta terra é acolhedora”. Siáudio fala que Meruoca quebrou uma espécie de tabu que existia no Amapá. “Ele desenvolveu muito a agricultura e incentivou o caboclo a plantar. Aqui existia uma superstição que dizia que quem plantava coco não comia coco, quem plantava manga não comia manga. Mas ele veio de uma terra como o Ceará, onde quem não trabalha morre de fome, e chegou aqui entusiasma­do. Aí o pessoal foi vendo o Meruoca plantar o cajueiro, a mangueira e começou a plantar também”.“Eu sou da Serra do Meruoca, sou homem que não monta em cavalo alazão do pé direito branco e nem dobro a esquina quando vejo o inimigo” - costumava dizer esse nordestino sempre lembrado como o tipo do cara boa praça. “A gente chegava na casa do Meruoca e não tinha mais vontade de sair. Além do dedo de prosa, ele tinha sempre um peixinho assado na brasa, uma farinhad’água bem torradinha, uma paçoca de castanha de caju” – garante Siáudio, que cansou de passar por lá.Hoje o porto do Meruoca é atravessado por uma ponte da i irada Amapá/Base Aérea. Os serviços que prestou aos antigos moradores da então vila do Espírito Santo, porém, não foram e acredito que iam, serão esquecidos. É uma pena que ninguém teve a idéia de guardar as canoinhas que transportavam a turma para a cidade. Com palavrão e tudo.....................
HUMBERTO DE CAMPOS, O QUASE ESQUECIDOMinha prima Amparo Coelho, que é integrante de duas academias de letras, presenteou-me recentemente com uma bela e surpreendente obra, de sua autoria, sobre a vida do escritor maranhense Humberto de Campos (1886-1934), famoso autor que, tendo nascido num povoado do interior do Maranhão, chegou a ser jornalista, deputado federal e membro da Academia Brasileira de Letras. Tudo o que eu sabia de Humberto de Campos aprendera no curso primário, nas antigas coletâneas de leitura – onde li um texto antológico, muito comovente, sobre o cajueiro que ele havia plantado, em Parnaíba, no Piauí, do qual se despedira aos treze anos, escorraçado pela pobreza, quando foi enviado pela mãe, a viúva Ana de Campos Veras, para trabalhar em São Luís, na Casa Trasmontana, onde lavava garrafas - e onde viu (mas nem tinha idéia de quem se tratava nem da importância que viria a ter) o grande poeta Joaquim de Sousa Andrade, o Sousândrade, autor de Guesa errante, que morreu na miséria, vendendo as pedras do muro de sua casa. Era doutor, estudara em Londres e viera purgar as dores na terra natal, que só valorizaria sua literatura de vanguarda muito tempo depois.Humberto de Campos Veras, como a maioria dos autores brasileiros, hoje não tem editor e os seus livros, já velhos e empoeirados, sobrevivem ocupando prateleiras de algumas bibliotecas e são poucos os que sabem da sua existência, principalmente os jovens. Ele faz parte, hoje, do rol de escritores que foram muito importantes no seu tempo, estavam presentes nas páginas dos jornais, através de crônicas e artigos; eram citados e admirados. O poeta Carlos Drummond, jovem ainda, quando chegou ao Rio de Janeiro, só ouvia falar de Humberto de Campos, contemporâneo de outro escritor que hoje ninguém mais lê: Coelho Neto. Eles não constam mais dos livros de textos usados nas escolas. Estão olvidados literariamente e só são citados por pesquisadores e um ou outro saudosista. Coelho Neto, prolífico autor de centenas de obras, era sinônimo de literato, no mais amplo sentido, mas o estilo, rebuscado e grandiloqüente, ficou obsoleto. A linguagem, cheia de pérolas e diamantes da língua de Camões, deixou de interessar aos leitores que preferem a simplicidade e o texto leve. O Modernismo de 22, os seus seguidores e as vanguardas que sobrevieram, ajudaram a sepultar muitos que ainda escreviam como Eça de Queiroz e outros lusitanos. A dinâmica da língua, dos estilos e dos costumes é inexorável.O livro Humberto de Campos – evocações de uma vida, escrito com a paixão de uma fã e a experiência e o conhecimento que Amparo Coelho adquiriu, como pré-requisito para o seu ingresso na Academia Parnaibana de Letras, despertou-me a atenção, fez-me buscar as obras referenciadas e esmiuçar um pouco mais a existência desse autor. Há fotografias das casas e dos locais onde ele nasceu, viveu e trabalhou. Seu velho cajueiro (hoje, em 2006, com 110 anos) também ainda resiste, combalido, maltratado, exausto, mas ainda dando frutos que se espalham pelo Brasil . A autora, que foi promotora de justiça em Parnaíba, onde reside, visitou os locais onde Humberto de Campos passou parte de sua infância, fez seus estudos e despertou o interesse por literatura. Menino pobre, órfão aos seis anos, a partir dos doze anos desempenhou funções humildes, como ajudante nos comércios, onde varria, espanava, lavava garrafas, levava encomendas, dava recados; ajudava a mãe em tarefas domésticas de costura, dormiu ao lado de forno de padaria, foi aprendiz de tipógrafo em obsoletas máquinas impressoras, passou fome e privações. Aos 16 anos estava em Belém, depois de abandonar Parnaíba. Também viveu algum tempo no Amazonas, num seringal, onde tenta fazer um dicionário escrevendo cada verbete em papel de embrulho, pois não tinha dinheiro para adquirir um livro – mas adoece de febre palustre e retorna a Belém, começa a escrever e torna-se colaborador do jornal A Província do Pará, trabalha na Prefeitura de Belém, de onde tem de fugir por causa de problemas políticos, indo residir no Rio de Janeiro até sua morte.Na capital federal, graças à amizade do conterrâneo Coelho Neto (que viria a ser seu compadre) e ao interesse despertado pelos livros e artigos, sua vida muda radicalmente. Em 1920 assume uma cadeira na Academia Brasileira de Letras; em 1927 é eleito deputado federal pelo Maranhão, sendo reeleito em 1930, para um segundo mandato sem pelo menos visitar o seu Estado, tal era a sua popularidade e reconhecimento. Porém, a perseguição política novamente interfere com a vida do escritor, que já vinha apresentando graves problemas de saúde. Seus últimos anos não foram fáceis, como também não o foram a infância e adolescência.Escritor dotado de singular capacidade de superar empecilhos, soube, como ninguém, extrair lições valiosas, registrando tudo na vasta obra produzida. Sua prosa fluente, direta, elegante, cheia de observações e minúcias - cenas de vida que nos são mostradas como se fossem um filme, comovente e sincero, pois o autor não deixa de enumerar todos os entraves, dissabores, assim como os eventos de humor - quase nada escapou de sua invejável memória. É muito difícil encontrarmos uma personalidade com a audácia de expor a sua vida como o fez Humberto de Campos, garoto que nasceu num povoado chamado Miritiba, atualmente batizado com o seu nome, mas nem por ostentar a denominação famosa deixou a sua condição de pobreza a que são relegados muitos municípios brasileiros, principalmente nordestinos, onde o povo é humilhado por políticos inescrupulosos e empresários corruptos.O que me chamou a atenção e me deixou surpreso foi como uma pessoa que teve tudo para ser apenas mais um pobre, semi-analfabeto e obscuro cidadão conseguiu ser um vitorioso. Para que se tenha uma idéia de quem foi ele em seu tempo, imaginemos o escritor Luís Fernando Veríssimo atualmente: Humberto foi assim naquela época, num país de analfabetos e sem os modernos meios de comunicação. As crônicas e artigos que escrevia diariamente eram publicados em dezenas de jornais; os livros se esgotavam rapidamente; era amado pelo povo, que se comoveu quando ele morreu. Só que o filho de Érico Veríssimo, intelectual e escritor famoso, foi alfabetizado em inglês, nos Estados Unidos, e só aprendeu o português posteriormente. Tinha biblioteca, pedigree, estudou em boas escolas, conviveu com pessoas de alto nível social e intelectual. Imaginemos o pobre Humberto, estudando na velha cartilha numa escola de Parnaíba onde não existia nenhum conforto (um igarapé e o matagal eram os banheiros), brincando na lama e nas lixeiras, tirando água de poço, onde não havia livros nem intelectuais, mas estivadores, agricultores, prostitutas, bêbados e valentões, quase todos analfabetos. Mesmo assim, dentre os colegas da sua pobre escola piauiense, saíram: um governador, deputados, diplomatas, altos funcionários e um escritor integrante da ABL - gente que tinha tudo para não ser ninguém.Humberto deixa pistas sobre o seu aprendizado e o conhecimento que adquiriu: ele gostava de ler, não de estudar - principalmente naquelas escolas precárias, onde a palmatória, os castigos e humilhações eram permitidos e até estimulados. Quando teve oportunidade, escolheu bons livros, passou a conviver, embora tardiamente, com pessoas de bem; escolhia autores e assuntos relevantes, conforme nos informa em algumas passagens de suas obras, principalmente nos dois volumes de Memórias – um dos quais incompletos, publicados após sua morte. Dentre os livros autobiográficos nacionais que já li, foi o que mais me chamou a atenção, juntamente com o romance Cazuza (este um verdadeiro sucesso editorial, com dezenas de edições e muito lido até os dias de hoje), do também maranhense Viriato Corrêa (1884-1967), obra que retrata e questiona o ensino da sua época, descreve o estilo de vida, costumes e brincadeiras do final do século XIX e foi publicado em 1938. Assim como Humberto, Viriato, nascido num povoado chamado Pirapemas, foi jornalista, deputado e membro da Academia Brasileira de Letras. Diferente de Humberto, porém, Viriato estudou em boas escolas de São Luís, conviveu noutros ambientes mais proveitosos e concluiu o curso de direito no Rio, depois de passar pela faculdade do Recife.Se você quer conhecer o livro sobre a bela e comovente história do escritor Humberto de Campos, entre em contato com a autora pelo e-mail amparo.coelho@bol.com.brTexto: Paulo Tarso Barros é escritor e professor –
tirado so site:http://escritoresap.blogspot.com/2006_05_01_escritoresap_archive.html

Falar de Literatura Amapaense é
falar também de Hélio Penafort, Paulo Tarso um dos nossos
grandes
escritores está aceesível à você que queira saber mais sobre este escritor
no site:
http://paulo.tarso.sites.uol.com.br/, e continuando exrever sobre alguns
escritores não conhecidos de nossa literatura vai aí um
que está no
anonimato
que é o Alci Conceição de Jesus, com seu livro Do
submundo
à
plenitude da vida
poesias... Este autor por muito tempo viveu
experiência amagas, seus olhos
espirituais obscurecidos, até novamente
ter
um encontro real com o seu criador,
e a verdadeira luz, dissipou
todas as
trevas. As amargas experiências vividas a
cada dia não
ofuscaram o propósito
dado por Deus para escrever esta obra .

Treicho de seu livro:

PAZ
Palavra pequena,
De grande expressão.
que faz este mundo,
mai8s querido irmão. Há sempre as querras, que estão a estourar.
e o homem pergunta:
_A paz, ondee estará?
um lenço branco,
alguém levantou,
repentinamente uma bala
o lenço furou.
uns pedem paz,
outros a desfazem.
este mundo é assim...
foi Jesus quem falou:
_Minha paz eu vos dou!
paz de espírito,
paz das nações.
paz de vocês meu ir,ão.
cada ser se encontra uma pequena expressão.
Para mim paz, é ter Deus no coração.
há vários escritores amapaenses veja no site de Vânia Diniz onde ela comenta e compara trechos de obras de macapaenses . http://www.vaniadiniz.pro.br/asp/textosamigos.asp?cod=1315

Literatura Amapaense

Você já ouviu falar em Carlos Cantuária , Alci Conceição de Jesus, Ana Higidna P. Agra de Godoy, bom eles fazem parte da nossa literatura amapaense, no qual nós pouco damos valor. Pois é, começando por Carlos Cantuária, ele estreou como escritor, publicando o livro PRÁTICA DOS MOVIMENTOS POPULARES, SUAS LUTAS DIREITOS E DEVERES EM 1987.A importância de Carlos Cantuária para a literatura regional é inconteste pois desenvolve uma característica marcante como vanguardista no Romance Regionalista. Autor da Reconhecida obra O GUERREIRO TUCUJUS-"Espírito do passado", recebeu da crítica o reconhecimento e notoriedade de escrito como nos seguintes comentários:
*Consideramos que a obra O GUERREIRO TUCUJUS - foi trabalhada dentros dos moldes didáticos. é aconselhável que obras desta natureza sejam divulgadas e trabalhadas nas escola... Trata-se de uma obra de ficção com passagens em diversos períodos da vida local, tendo ainda participação destacada do caboclo e do índio macapaense.( Jornal A Província do Pará- Hélio Penafort).
*Hoje ficará registrado nos anais da História o primeiro amapaense, nascido de Mazagão, a publicar um Romance, que tem como cunho a resistência perante as desigualdades bio-político-psico-sociais que ora enfrentamos- historiador Edgar De Paula Rodrigues.
Um trecho de seu livro: O vento dos Açaizais.
A TRAVESSIA
Reunidos na beira do Igarapé, o grupo acompanhante do velório preparava-se para atravessar.
_Encontrou o local raso Tiago?
_Sim!
_Então vamos!
Pedro e Tiago ajudavam a atravessar a mulherada. As mais baixas em alguns trechos tinham que ser seguradas; pois a água chegava até suas cabeças.
_Droga de águas frioa, né Tiago!
_Né!
_ Ei, Vamos mais rápido, já começa a escurecer!
_Estamos fazendo o possível seu Sabá!
Depois de alguns minutos, só restava o caixão para atravessar; Pedro, Sabá, Tiago e Zé Antônio, iniciaram o transporte do caixão.
_Zé Antônio seu cachaceito, você devia carregar sózinho esse caixão!
_Por que, entaão?
_Prá ficar de boca fechada lá no velório,pois não teríamos todo esse trabalhão!
_ Ora , e se fosse amigo de vocês?
_Mas não nessa situação!
Será possível que você não calam essa matraca nem na hora do aperto!
_Ânimo pessoal, antes de escurecer totalmente, ainda pretendo tomar um quentinho!
_Olha o esperto! Agora tão apressado!
Quase no final da atravessia, Zé Antônio ao pisar fora dágua escorrega.
_Droga!
_Tente segurar Tiago!
Não teve jeito, os quatros já cansados de carregar o caixão mergulhou no Igarapé. Na queda, a tampa se abre e o defunto é atirado nágua.
_Rápido, não deixem o corpo ser arrastado pela correnteza!
O restante do pessoal que estava em seco, não sabia o que fazer.
_Ó meu Jesus do Céu, será que Deus não quer levar ainda o Serrinha?
_Deixe de dizer besteira Edith!
_Diabos!... Quando vamjos parar de ter atropelos.
_Ei! Acho que consegui!
_Graças a Deus!
Por sorte o corpo ficara engatado na margem cheia de folhagens e mururés, juntamente com o caixão, que foi recuperado. A viúva corre e abraça o corpo de Serrinha, em choro convulsivo , desafogando todo o medo9 da caminhada, sendo rodeada pelos filhos.
_Madame, por favos ! precisamos chegar na vila. O movimento de nuvens negras é intenso e a noite estpá chegando!
A visibilidade era pouca e, a noite tomou conta de tudo. A limpeza do cadáver não dava mais prá fazer, nem trocar de roupa, pois tudo estava molhado.
Texto retirado do livro O vento dos Açaizais de Carlos Cantuária.

Macapá no início


Muita coisa já se perdeu e outras já se recuperaram mas essa é a nossa vida em macapá , além de muita esperança para um dia melhor o amapá está desenvolvendo ...aos poucos.

Friday, September 15, 2006

Um Macapá Diferente...

Você já observou como macapá está diferente?
Pois é...Macapá agora é cenário crucial da política, em todos os lugares que andamos nos deparamos com pessoas fazendo campanhas. Você já parou para ver o programa que vai ao ar todo dia? o que você acha sobre isso? será que é verdade o que nos prometem? e você já tem o seu candidato? É gente, não é só vocês que tem dúvidas a respeito disso , todo mundo no seu profundo tá preocupado com o que vem pela frente... O FUTURO. Muita gente quer que o nosso Amapá verdadeiramente se desenvolva enquanto outros preferem se afastar dele sem perceber o que acontece ao seu redor e que toda e qualquer DECISÃO será perpétua ou gloriosamente ao seu favor.
Temos que mesmo cansado de achar que o Amapá e significativamente o Brasil não tenha desenvolvimento e não tenha jeito mesmo, a boa fé sempre é a nossa verdadeira e real esculdeira e nos alivia a qualquer pressão que podemos sofrer por parte da massa amapaense.

Friday, September 01, 2006

É tempo de escrever...



A arte
é a forma de expressão mais pura, do sentimento da humanidade que existe em cada pessoa. O artista trás do mundo dos desvaneios para os sentidos, os mais escondidos sentimentos que habitam os interiores , os sertões da alma! Porém a arte só tem sentido, quando ela extrai do pensamento os dramas da vida, retratando a realidade do mundo em que vive o artista.
Idelgardo Alencar
Artista amapaense